O PT nasceu para transformar a política brasileira e não para se adaptar a ela

*Por Erika Kokay

A decisão da bancada do Partido dos Trabalhadores da Câmara de fechar o apoio à candidatura de André Figueiredo (PDT) para a presidência da Casa e ao mesmo tempo trabalhar para a construção de um bloco partidário de esquerda e de oposição ao golpismo com a participação do PDT, e PCdoB, reafirma o papel do partido como uma das principais forças de resistência ao golpe e a sua agenda conservadora no parlamento.

Foi uma decisão acertadíssima, pois não cabia acordo de nenhuma natureza com aqueles que pretendem praticar as mais insanas crueldades contra o povo brasileiro, que querem votar ainda este ano a reforma da previdência e a reforma trabalhista. O PT não podia ter outra posição senão se colocar como oposição a uma agenda que pretende dilacerar com direitos historicamente constituídos.

A decisão unânime da bancada em favor da posição “petista não vota em golpista” foi, sem dúvida nenhuma, uma vitória da militância do partido, que organizou manifestos, fez corpo a corpo junto aos nossos parlamentares, demonstrou força, voz e capacidade de influenciar em decisões importantes da institucionalidade partidária. A posição da bancada, por sua vez, fortalece a ideia de um PT conectado com suas bases, permeável à sua militância.

Essa é uma decisão histórica, pois ela ultrapassa uma mera definição de nomes para a presidência da Câmara, bem como, a ocupação de espaços na mesa diretora da Casa. Trata-se de uma definição que é um marco na retomada da credibilidade do partido junto à sociedade brasileira, de resgate de sua identidade militante e transformadora.

O PT nasceu do ventre da classe trabalhadora brasileira para transformar o Brasil e a política tradicional brasileira e não para se adaptar a ela. O PT surgiu para fazer da luta política, social e partidária um instrumento de transformação social, de elevação de direitos, de mudança de valores e de consciência sobre a necessidade urgente de se construir uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária.

Historicamente, a direita conservadora desferiu contra nós inúmeros ataques. Nos acusaram de terroristas, baderneiros, etc. Todas as tentativas desonestas de criar uma cisão entre nós e a sociedade brasileira por sermos um partido de transformação, de esquerda e que tem lado, fracassaram. Nenhuma dessas investidas nos atacou tanto, quanto a de nos associar às práticas da direita e da política tradicional neste País.

Isso porque os ataques de outrora reafirmavam nossos valores de esquerda, ao contrário, do momento atual em que disparam contra nós ataques que buscam desconstruir nossos valores e nossa identidade, nos associando aos mesmos métodos utilizados por nossos adversários.
O maior ataque que o PT sofre neste momento é a tentativa de nos jogar na vala comum da política partidária nacional. Se fechássemos um acordo com setores golpistas, os quais não têm nenhuma identidade programática conosco, estaríamos corroborando com a imagem que nossos detratores querem construir de nós, de um partido que reproduz as velhas práticas políticas da direita. A mídia tradicional tem ataques de êxtase quando consegue nos associar ao modo conservador de ser e estar na política brasileira.

Por óbvio que esse ataque não se restringe ao PT, mas a todos os universos de diálogo democrático e de construção de resistências comunitárias e coletivas. A direita busca aniquilar o PT não por eventuais erros cometidos ao longo de nossos governos democráticos e populares, mas fundamentalmente por nossos acertos, por mantermos firme um programa de igualdade, de rompimento e desnaturalização com a fome e a pobreza.

Nos atacam de forma absolutamente violenta por seguirmos defendendo um modelo de nação sustentado sobre o pilar de um projeto de desenvolvimento nacional, que enxerga o Brasil como uma nação soberana e não como um apêndice subalternizado da Europa e dos EUA. Não à toa, o golpismo trabalha diuturnamente para desfigurar o legado de conquistas sociais e econômicas que conquistamos nos últimos anos.

A decisão de formar um bloco de esquerda no parlamento vai ao encontro dos grandes desafios que temos pela frente, a começar pela necessidade inarredável de aglutinar forças na sociedade, fundamental para se contrapor a um golpe que busca ceifar direitos sociais, e trabalhistas. Ademais, manter a coerência com nossos princípios deve ser uma diretriz, não somente para a nossa atuação no parlamento, mas em todos os espaços de ação e intervenção partidária.

É por tudo isso que essa decisão tem um peso extraordinário, pois ela contribui para o resgate de nossa identidade, remonta aos princípios que nos deram origem. O reencantamento da sociedade brasileira, principalmente, da juventude com a política, passa por sinalizarmos cada vez mais contrariamente aos métodos que nos identificam com a direita.

Nesse caminho, estaremos gradualmente superando uma das maiores crises que atinge atualmente o PT, produzida a partir da distorção da nossa imagem, com o intuito de atacar justamente o que temos de mais precioso: a nossa identidade transformadora.

*Erika Kokay é deputada federal pelo PT-DF e militante da Articulação Unidade na Luta

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