Contra opressões, mulheres devem lutar por hegemonia, conclui Marcia Tiburi

O Teatro dos Bancários se tornou uma grande sala de aula na noite desta quinta-feira (16). As lições, ministradas pela professora de filosofia feminista Marcia Tiburi, colocaram em pauta questões como feminismo, machismo e patriarcado e como esses temas permeiam a vida das mulheres e da sociedade brasileira.

O debate, que teve como tema ‘Mulheres, Política e Sociedade Contemporânea’, foi iniciado com a saudação da secretária de Mulheres do Sindicato, Helenilda Cândido, que destacou a importância da discussão diante da conjuntura de ataques e retirada de direitos, em especial os da mulher. A deputada federal Erika Kokay, bancária da Caixa e ex-presidente do Sindicato, também participou do evento, destacando a necessidade de maior representatividade feminina no parlamento.

Política e feminismo

Tiburi iniciou a noite afirmando que a política está em todas as nossas ações, até mesmo na fala (no “eu te amo” há política, segundo ela). E que para fazer política da melhor maneira, o que deve entrar em cena não é simplesmente o que “eu penso”, nem o que “trazemos de pessoal, mas colocar em cena o que existe de impessoal e o que pode importar ao outro”, buscando construir práticas e ações não autoritárias.

Em seguida, ela partiu para a definição do termo feminismo, que até hoje é usado por alguns com tom pejorativo. Para a escritora e filósofa, o feminismo contemporâneo é “um projeto de construção de si, uma desconstrução filosófica da tradição, do senso comum”. E completa: “uma mulher só se constrói quando conhece e toma consciência de si a partir do feminismo”. Passar a ver as coisas sob a ótica do feminismo é libertador”, destaca.

Opressões

Tiburi afirmou que a opressão da beleza, que impõe às mulheres  um padrão muitas vezes inalcançável, fortalece a lógica que faz a máquina do mercado funcionar,. E que a opressão da sexualidade, também voltada à questão estética, está intimamente ligada à esses padrões.

Há ainda a opressão que dá à mulher o “selo de qualidade humana”, como definiu Marcia. É a opressão da maternidade, que dissemina a ideia de que ser mãe necessariamente representa empoderamento, não considerando como fundamental a escolha da mulher de ter ou não filhos.

Todas somos trabalhadoras

Partindo da afirmação de que todas as mulheres são trabalhadoras, independente do tipo e do local de trabalho, Marcia reforça a crueldade da proposta de reforma da Previdência Social do governo ilegítimo de Michel Temer.

A dupla, tripla e até quádrupla jornadas das mulheres são desconsideradas pelo projeto que forja igualar os desiguais. De acordo com a filósofa, a PEC 287 é uma política de destruição perversa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras mascarada de reforma. O objetivo, segundo ela, é facilitar a “vida” do neoliberalismo, que é, em si mesmo, uma política de saque das riquezas do Brasil.

“Contra as mulheres, essa reforma é pesadíssima. As mulheres são trabalhadoras de empresas, de indústrias, do comércio e são trabalhadoras domésticas também. Mulheres que têm crianças pequenas, que têm pais velhos, que têm maridos que não ajudam. Tudo isso naturalizado nas nossas vidas. Se as mulheres não se derem conta disso, elas estão condenadas à escravização, à reescravização”.

Debate sobre o aborto

Marcia levantou, ainda, a questão da legalização do aborto. A professora de filosofia disse que a dificuldade de debater o assunto “é um problema que coloca a maternidade como uma ideologia que constrange, humilha e violenta as mulheres como sujeitos de direito. A maternidade pode ser uma escolha, mas raramente é. Neste sentido, nós temos que lutar pelo direito ao corpo, direito de não ser violentada nesse lugar”.

Mulheres e os espaços de poder

Para Marcia, a saída para as mulheres contra as opressões é a luta por hegemonia do poder. Nesse sentido, a participação efetiva das mulheres na política é fundamental, de acordo com a professora, que afirmou que elas só ocuparão os espaços de poder se organizando coletivamente. “As mulheres precisam deixar as atividades historicamente destinadas a elas, como os afazeres domésticos, e lutar para mudar essa realidade”.

Fonte: Seeb Brasília

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