Professores aprovam o fim da greve e retornam ao trabalho nesta segunda-feira (17)

Professores/as e orientadores/as educacionais encerraram a greve geral da categoria nesta quarta-feira (12), 29 dias após o início da paralisação, mas só retornam às escolas na segunda-feira (17).  A deliberação foi aprovada na Assembleia Geral, realizada na tarde desta quarta-feira, em frente à Catedral Metropolitana de Brasília. O magistério público do Distrito Federal finaliza a greve e retorna às salas de aula no mesmo dia e juntamente com os/as professores/as da rede pública de ensino de Minas Gerais.

De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), a greve geral da educação continua somente com os/as professores/as do Estado de Goiás, que permanecem em paralisados. Nos últimos dias, as únicas unidades da Federação que ainda prosseguiam na greve geral da educação, deflagrada no dia 15 de março, eram justamente o DF, Minas e Goiás.“Começamos em conjunto com os/as professores/as de Minas e terminamos com eles, que também retornarão às salas de aula na próxima segunda-feira”, informa Cláudio Antunes, coordenador de Imprensa do Sinpro-DF.

A luta, contudo, continua e a categoria se mantém mobilizada em defesa dos seus pleitos e contra as reformas da Previdência, trabalhista, terceirização e demais retiradas de direitos. Aprovaram um calendário de lutas e a participação intensa da categoria na greve geral nacional no dia 28 de abril. Na avaliação dos professores, o encerramento da greve não significa o fim da luta. Pelo contrário, o objetivo é retornarem às aulas para fortalecer a mobilização da categoria contra o projeto econômico e político dos governos local e federal.

“Não temos dúvidas de que nossa luta é diária, porém não é somente contra a reforma que irá promover o maior retrocesso da história previdenciária do país e da classe trabalhadora, e sim contra um projeto de governo que visa a retirar direitos trabalhistas e sociais para atender a interesses isolados de megaempresários nacionais e internacionais”, analisa Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.

Ela afirma que a categoria “tem, agora, o desafio de continuar uma luta contra um projeto de governo que, no âmbito nacional, utiliza o golpe de Estado como instrumento para instalar uma política econômica entreguista e subserviente aos interesses privatista e mercantilistas de grandes corporações estrangeiras e brasileiras e, localmente, contra o projeto de Rodrigo Rollemberg que segue o mesmo objetivo dos atuais governantes do país”.

Na avaliação do comando geral de greve, a categoria demonstrou disposição para a luta não só durante esses 29 dias, mas também porque aprovou um calendário de luta que fortalece a mobilização para a greve geral nacional prevista para o dia 28 de abril. “Todavia, infelizmente, estamos enfrentando um governo truculento, insensível , que poderia promover um avanço na nossa pauta de reivindicações, mas decidiu não fazê-lo. Não é uma questão de não poder e sim de não querer. O governo Rollemberg não quer atender às reivindicações”, afirma Cleber Soares, diretor do Sinpro-DF.

Para ele, se por um lado a categoria encerrou a greve mobilizada, por outro, “a gente percebe um cansaço generalizado dos/as professores/as e orientadores/as educacionais. Assim, a alternativa que vislumbramos no momento e que o GDF apresenta uma série de compromissos e propostas insuficientes da nossa pauta, considerando a conjuntura de esvaziamento do movimento grevista, avaliamos que seria importante a categoria recuar agora para avançar num momento seguinte”, analisa.

Cleber informa que “há várias lutas a serem feitas contra o governo federal e contra o governo neoliberal de Rodrigo Rollemberg. É um projeto de governo que precisa ser derrotado a partir de nossa mobilização, nas redes sociais e nas ruas. A nossa luta tem de dar conta disso para a gente conseguir, efetivamente, avançar”.

No entendimento de Júlio Barros, diretor do Sinpro-DF, “é preciso ter a clareza de que o principal motivador da nossa greve foram as reformas do governo golpista do Temer, especialmente a reforma da Previdência, que extinguiria a aposentadoria especial do magistério, uma reforma que já mostrou sinais de recuo graças à nossa mobilização local e nacional”.

Ele diz que a pauta local é a defesa do PDE. “Defendemos as 21 Metas do PDE, mas, no âmbito salarial, tem a Meta 17 que diz respeito à colocação dos profissionais do magistério na média salarial das carreiras de nível superior. Só que o próprio Plano coloca em 4 anos. Não necessariamente temos de resolver toda uma questão histórica em um mês e as negociações continuam, bem como as formas de luta, de pressão. No entanto, temos de saber o momento de reagruparmos nossas forças para, inclusive, voltar com mais força ainda”, afirma Barros.

Na avaliação do diretor, o magistério público do DF está numa greve atípica. “Não estamos num período democrático. Fizemos uma greve num período de Estado de exceção, de golpe de Estado. É errado querer comparar esta greve de 2017 com a que realizamos em 2015. Em 2015, havia um golpe em curso. Hoje este golpe está consolidado. Por isso, hoje, a categoria, mais uma vez, tomou a decisão mais acertada. E agora compete aos profissionais do magistério público buscar a unidade e a participação na luta porque somente com unidade a categoria irá vencer os governos federal e local”, finaliza.

A Paixão do Professor

Antes de começar a Assembleia Geral, professores/as e orientadores/as educacionais realizaram uma breve peça teatral intitulada “A Paixão do Professor”. A encenação de uma via crusis, com a crucificação de um professor e de outros trabalhadores, saiu em procissão da rampa da Catedral, adentrou o Eixo Monumental pelo lado esquerdo do caminhão de som e retornou à área, em frente à Catedral, local em que estava sendo realizada a Assembleia, pelo lado direito. Com apenas três estações, a via crusis do professor fez um paralelo entre a situação da categoria e da classe trabalhadora e saga que Jesus Cristo enfrentou até o calvário.

Inspirados na história da Páscoa cristã, professores/as que fizeram piquetes nas escolas do Plano Piloto e em outras cidades aproveitaram a oportunidade de a Assembleia Geral ocorrer em frente à Catedral Metropolitana de Brasília e na semana da Páscoa para interpretarem a via crusis da categoria e da classe trabalhadora, tendo como protagonista o professor. Com apenas três estações, a “Paixão do Professor” denunciou as retiradas de direitos e o comportamento privatista, autoritário e entreguista dos gestores públicos nos três poderes, os quais atuam para dizimar os direitos sociais e trabalhistas no Brasil.

Confira a Proposta de Termo de Acordo entre o GDF e a comissão de negociação:

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