Reflexo do golpe: Vigilante desabafa acerca da precarização do trabalho

Mal foi aprovada e a nefasta reforma trabalhista já é sentida no dia a dia dos trabalhadores. Desta vez, um vigilante que prestou serviços neste fim de semana, em Brasília, no evento Capital Moto Week − uma das maiores festas motociclísticas da América Latina−, relatou o descaso de como ele e seus companheiros de trabalho foram tratados.

Enquanto quem participou da programação desfrutou de todo o glamour que lhe era oferecido, a realidade para os vigilantes que ali trabalharam foi bastante diferente. Além de ficarem por mais de 12 horas em pé, sob forte sol e “esquecidos” nos postos de trabalho, não receberam lanche ou, sequer, água.

Como se não bastasse, as empresas responsáveis pela vigilância do evento não forneceram transporte ou auxílio para a locomoção dos trabalhares até o local. Para o presidente do Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal (Sindesv), Paulo Quadros, a forma como os trabalhadores foram tratados denota descaso e reflete as consequências da nociva reforma trabalhista. “O trabalhador não pode ser tratado de tal maneira. O sindicato tomará as devidas providências para que essa situação não se repita”, disse.

Leia o desabafo do vigilante que prefere não se identificar:

“Essa semana, trabalhei no Capital Moto Week, na Granja do Torto, como segurança, e pude constatar a falta de consideração e respeito que se sucedem nesse tipo de evento. Nós, vigilantes, somos discriminados, esquecidos nos postos e, em muitos aspectos, tratados como animais dependentes da vontade dos outros.

Apesar de sermos obrigados a chegar muito cedo, ficamos até 12 horas nos postos, em pé, sem água e sem lanche. Toda alimentação que nos foi dada resumiu-se a uma marmita de almoço, de péssima qualidade, ruim e fria, coberta com um arroz com gosto de queimado.

Além disso, fomos obrigados a ficar debaixo do sol, fiscalizados por “coordenadores” que a toda hora vinham verificar se estávamos nos postos, mas incapazes de trazer um copo de água para matar nossa sede. Por isso, tivemos que catar garrafinhas usadas no chão e enchê-las com água das torneiras dos banheiros, seguindo a recomendação dos próprios coordenadores. Não havia outra opção: a garrafa de água mineral, no evento, custava 5 reais, e os lanches também eram muito caros para quem, como nós, recebemos 100 reais pelo dia de trabalho – um pagamento que só irá sair 10 dias após o evento. Ou seja, tivemos que nos virar por conta própria.

Como não fomos escalados para todos os dias, essa falta de pagamento imediato fez da vida de muitos um inferno, porque nem todos tinham dinheiro para pagar a condução. Muitos vieram para o Capital Moto Week, mas tiveram que pegar dinheiro emprestado para voltar para casa. As duas empresas de segurança envolvidas no evento, Dragon e Griffo, atuaram da mesma maneira desrespeitosa, são farinha do mesmo saco. Sem falar no grupo de brigadistas despreparados. Para se ter uma ideia, vários brinquedos infláveis desmoronaram com o vento forte e algumas crianças se machucaram. Uma delas teve dois cortes na cabeça, o que obrigou a direção do evento a interditar o local e desmontar os brinquedos. Como estávamos trabalhando sem rádio transmissor, os pais vieram nos cobrar, achando que éramos, também, brigadistas. Um horror e uma esculhambação.

Esse é meu desabafo, porque está cada vez mais difícil a vida de vigilantes que fazem serviço de segurança, uma exploração total!”

Fonte: CUT Brasília com informações do site do deputado Chico Vigilante

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