Parlamentares criticam aumento da violência no campo no governo Temer

“Estamos vivenciando uma ruptura democrática, na qual as cercas e o gado passaram a valer mais do que as pessoas”, criticou a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) durante audiência pública, realizada nesta terça-feira (1/8), na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara que discutiu o aumento da violência no campo brasileiro e os conflitos por demarcações de terras indígenas e quilombolas no País. O evento contou com a presença da deputada Julie Ward, representante do Parlamento Europeu.

“Vivenciamos nesse momento o alargar de um processo capitaneado pelos ruralistas que querem negar todos os direitos de indígenas e quilombolas. Os ruralistas, que se consideram os únicos donos da terra, agem com profunda prepotência e arrogância a ponto de se sentir donos da vida dos povos tradicionais”, criticou Erika Kokay.

“Com o golpe, as vozes ruralistas – que têm muita representação no legislativo – se apoderaram, também, do poder executivo que, agora, passa a adotar a política do marco temporal para impedir o direito desses povos ao território”, disse a deputada, ao repudiar a iniciativa que condiciona o direito dos povos indígenas ao território à presença das comunidades nas terras que reivindicam quando da promulgação da Constituição, ou seja, em 05 de outubro de 1988.

Durante a audiência parlamentares brasileiros e estrangeiros, além de membros do Ministério Público e lideranças indígenas criticaram a redução do orçamento da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

A deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), que pediu o debate, destacou que o governo Michel Temer reduziu em 75% o orçamento da Funai. “Esse governo não teve programa aprovado pela população brasileira, e visa beneficiar grandes empresas internacionais do agronegócio”, disse. Segundo Capiberibe, o governo dificulta a demarcação das terras indígenas para “entregá-las às empresas internacionais”.

Eliseu Lopes, indígena Guarani-Kaiowá e da coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), disse que são cada vez mais raras as esperanças de que os conflitos possam ser resolvidos internamente no Brasil e clamou por ajuda internacional.

“Nós estamos sendo massacrados, criminalizados e mortos porque estamos lutando pelos nossos direitos”, disse Eliseu, ao falar da dura realidade vivida pelos povos indígenas brasileiros.

Repercussão Internacional

A deputada do Parlamento Europeu pelo Reino Unido Julie Ward, que esteve recentemente na Amazônia para conhecer a situação dos povos indígenas, informou que pretende divulgar em fóruns internacionais os abusos sofridos por esses povos, os quais constatou durante o período passado na região.

A deputada Janete Capiberibe pediu que o Parlamento Europeu imponha barreiras a produtos brasileiros que sejam produzidos em contexto de violação de direitos de povos indígenas.

A parlamentar inglesa apontou a violência da “industrialização” para os povos indígenas, que estaria tornando insustentável o modo de vida dessa população. Conforme Ward, esses povos não são mais capazes de desenvolver suas atividades tradicionais, por conta da poluição dos rios e das terras – por agrotóxicos, por exemplo.

Julie Ward defendeu o “empoderamento das populações indígenas” para que elas possam promover a proteção do meio ambiente. Para a deputada, a situação dos povos indígenas brasileiros afeta todo o mundo – não é um problema restrito ao País.

Fonte: Site de Erika Kokay, com informações da Agência Câmara

Anúncios

Deixe um comentário ou enviei um e-mail para: auldf13@gmail.com

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s