Ato em defesa de Lula mostra que povo está determinado a desarmar bomba de ataques e salvar democracia

Acostumada a qualquer tipo de tempestade, a classe trabalhadora de todo Brasil desprezou o mau tempo na capital federal nesta quarta-feira (4/4) e lotou a Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ela participou de um dos momentos mais importantes da história do país: a decisão sobre a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva – condenado, sem qualquer prova, a 12 anos e 1 mês de reclusão – e o consequente impacto disso na democracia brasileira.

A militância, marcada pelas diversidades de gênero, cultural, racial e religiosa, se concentrou no Teatro Nacional, por volta das 12h, e desceu em marcha até a Alameda dos Estados, em frente ao Congresso Nacional. Lá, grades de ferro impediam a passagem de qualquer pessoa, inviabilizando o acesso ao STF.

A Esplanada estava dividida, por uma cerca, em dois lados. A via N1 recebeu os que defendiam a democracia. Já a S1, onde pouco mais de uma dezena de pessoas se reuniu, foi reservada a figuras que, de forma geral, disseminam o anti-petismo e, consequentemente, o ódio e o aprofundamento das injustiças sociais.

Embora sob constantes ataques aos direitos humanos, sociais e trabalhistas – vindos como enxurrada após o golpe parlamentar –, os manifestantes que defendem Lula seguiram com passos firmes e discurso afiado sobre o motivo de estarem ali: defender a democracia. O sentimento geral percebido se apresentou como um misto de revolta e esperança e, sem dúvida, de disposição para continuar a luta em defesa da volta de um Brasil mais justo e igualitário.

“Defender Lula significa defender o Estado democrático de direito; é defender um projeto de sociedade onde caibam todos os cidadãos e cidadãs brasileiros, independente da região do país, independente de sua classe social; é defender os direitos trabalhistas, é defender o direito à aposentadoria; é defender o direito a uma vida digna; é defender uma Nação onde cada cidadão e cidadã sejam respeitados, tenham igualdades de oportunidades e direitos. Defender Lula é defender um futuro decente para o nosso povo”, definiu o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.

“Defender Lula é defender um futuro decente para o nosso povo”

Rodrigo Britto, presidente da CUT Brasília

O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Pedro Gorki, engrossa o coro de que “defender Lula é defender a democracia”. “E não há como termos qualquer avanço na política educacional sem a democracia. Por isso estamos nas ruas”.

Para a vice-presidenta da CUT Nacional, Carmem Foro, a participação na manifestação desta quarta-feira é um “dever cidadão de todos e todas”. “Nós já estamos em luta há bastante tempo, mas hoje é um dia quem que: ou se respeita a Constituição ou, de fato, se desmonta uma série de conquistas no nosso país e se quebra a democracia. Nós estamos aqui para defender Lula, pois sabemos que ele é inocente; pois sabemos que o Brasil precisa de Lula de volta”.

Impactados pelo ataque ao povo brasileiro, os manifestantes que exigem que a Justiça brasileira exerça de fato seu papel, encontram na unidade das forças de esquerda a saída de um cenário caótico que apresenta, inclusive, o clamor à intervenção militar. O tema se tornou viral após ser defendido pelo comandante do Exército, o general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, e por outros generais de todo país.

“A gente vive um momento muito grave na história do país. Fica evidente que a gente precisa fazer uma defesa da democracia, contra o fascismo. E por isso que é necessária uma unidade de todos os partidos de esquerda, independente das divergências programáticas. Que a gente tenha como palavra de ordem do dia a unidade das esquerdas para barrar o avanço do fascismo, para a manutenção da nossa democracia. E o símbolo disso é o Lula”, disse a coordenadora geral do DCE Honestino Guimarães da Universidade de Brasília e integrante do movimento de juventude Afronte, do PSOL, Scarlett Rocha.

“É um absurdo essa tentativa de impedir Lula de ser candidato e de, inclusive, prendê-lo”, denuncia Josué Rocha, da coordenação Nacional do MTST.

(In) Justiça
O julgamento do habeas corpus de Lula teve início às 14h, no Supremo Tribunal Federal. O instrumento jurídico apresentado pela defesa do presidente tem como objetivo impedir a execução provisória da pena diante da confirmação absurda de sua condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no processo do chamado triplex do Guarujá. Ou seja, a depender do resultado, Lula pode recorrer de sua condenação em liberdade ou ser preso em seguida.

Conforme informa o site do STF, “a defesa de Lula sustenta que a determinação do TRF-4 no sentido da execução da pena após o esgotamento das instâncias ordinárias representaria ameaça iminente ao seu direito de locomoção e comprometeria a presunção de inocência”.

“Não há provas contra Lula, não há crime cometido por Lula”

presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann

“Nós queremos que o habeas corpus de Lula seja julgado favoravelmente, pois ele é inocente. Não há provas contra Lula, não há crime cometido por Lula. Mas, sobretudo, ao julgar esse HC, o Supremo estará reafirmando a Constituição, que garante a todos o direito de defesa amplo e irrestrito, e de só ser condenado depois do trânsito em julgado, depois da última instância do Judiciário, que é o STF”, avaliou a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann.

Até por volta das 21h desta quarta-feira (4/3), o placar contra Lula marcava 5 x 1, com voto favorável (e estratégico) do ministro Gilmar Mendes, e contrários de Edson Fachin (relator do caso), Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Luis Roberto Barroso e da ministra Rosa Weber. A especulação era de que ela seria a única integrante da Corte que ainda estava em dúvida sobre seu voto. A ministra Cármen Lúcia provavelmente votará contra o habeas corpus. Favoráveis ao HC, restariam Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. O placar, se a previsão se concretizar, será de 6 x 5 contra o presidente Lula.

Fonte: CUT Brasília

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