Sobre a AUL

  1. A Articulação Unidade na Luta é uma tendência interna do PT. Sua origem está na reunião dos signatários do “Manifesto dos 113”, que ficou conhecida como Articulação dos 113 ou Articulação. Em seu primeiro manifesto público, o Manifesto dos 113, defende um PT de massas, de luta e democrático.
  2. Lançada nacionalmente em 1983, a Articulação surgiu como contraponto às organizações que encaravam o PT meramente como um partido tático, quer seja na perspectiva de diluí-lo em uma frente oposicionista liberal, a exemplo do PMDB, ou por uma proposta semelhante a um “socialismo de quadros”, sem trabalhadores, como o PDT. Havia, ainda, organizações políticas com orientações marxistas e leninistas para as quais o Partido deveria funcionar à sua própria imagem e semelhança e outras que utilizavam o PT como partido tático para formação de seus próprios partidos. A Articulação passou, assim, a ser o maior campo na defesa da construção do PT como partido estratégico para a classe trabalhadora.
  3. O 1º Congresso Nacional do PT, em 1991, evidenciou divergências no interior da tendência, que se tornaram incontornáveis após o 8º Encontro Nacional, em 1993 e ocorreu um “racha”, do qual surgiu a Articulação de Esquerda.
  4. Em 1995, a Unidade na Luta passou a compor o chamado Campo Majoritário, coletivo responsável pela formulação da estratégia para conferir maior peso à candidatura petista na disputa eleitoral e por reforçar a necessidade de ampliação da política de alianças petista, ajudando assim na condução de Lula à presidência da República em 2002.
  5. A crise de 2005 desencadeou um novo processo de reformatação partidária, que foi responsável pelo surgimento de novas forças políticas no partido e da reorganização de outras.
  6. Um traço característico que marcou a trajetória da Articulação foi sua rejeição ao chamado Centralismo democrática, sendo a adesão de militantes feita por compromisso político.
  7. Durante muito tempo a Articulação manteve a hegemonia do PT e procurou expressar o que considerava a “real politik” no interior do Partido, ou seja, seu caráter de massa agregado à necessidade de quadros dirigentes, táticas e estratégias para composição, afinação do discurso e a própria prática partidária.

 

A Articulação no Distrito Federal

  1. Nestes mais de trinta anos a Articulação tem caracterizado o PT-DF. Historicamente tem disputado, com êxito, a hegemonia interna do Partido. Por diversas vezes elegeu os presidentes deteve o controle da direção partidária e a maioria dos parlamentares. Foi, desta forma, responsável pelas formulações de cunho estratégico e pela própria evolução do Partido.
  2. Em 1994, a Articulação foi a principal força responsável pela vitória de Cristovam Buarque. A participação da corrente no Governo foi de fundamental importância assim como em programas sociais implantados, que construíram o sucesso do Governo.
  3. Em 2010 a Articulação também foi uma das responsáveis pelo ingresso de Agnelo Queiroz no PT, bem como sua vitória nas prévias e consequente candidatura ao GDF. Na composição de governo e nas formulações política, todavia, a Articulação não teve, nem de longe, a participação à altura de sua representatividade no PT e na sociedade. Praticamente não participou do governo, ocupando poucos cargos nos segundo e terceiro escalões. A exceção foi a breve passagem de Jacques Penna na Casa Civil e na presidência do BRB.
  4. Não havendo, portanto, uma participação da Articulação Unidade na Luta nas discussões políticas e estratégicas do GDF, sobretudo devido à ausência de qualquer quadro da tendência no grupo próximo a Agnelo. Parlamentares, dirigentes e militantes já apontavam críticas desde a transição, que continuaram na formação de governo e se acentuaram no curso do governo.
  5. Em julho de 2012 houve um processo de dissidência na Articulação Unidade na Luta. Um grupo de dirigentes abandonou nossa corrente para criar outro campo político, a militância viva (CNB DF),sem esclarecer os motivos que fundamentaram tal decisão. No nosso entendimento, o que conduziu a essa dissidência foi, na realidade, um conjunto de interesses e projetos pessoais, em detrimento da atuação orgânica do PT, o que levaria alijamento do partido enquanto instrumento indutor de políticas no governo.
  6. Ainda no mês de julho de 2012 houve uma Plenária no Sindicato dos Bancários, na qual a Articulação repudiou qualquer tentativa de incorporá-la a outro campo político e resolveu conclamar a militância para uma luta de resistência pela reconstrução da tendência, a partir de seus antigos quadros, companheiros do movimento sindical e movimentos sociais, como o MST, juventude, LGBT, mulheres, negros e pessoas com deficiências além de outros segmentos.
  7. No último PED, a Articulação Unidade na Luta disputou a presidência do PT-DF com a deputada Erika Kokay à frente. Obteve cerca de 34% dos votos, um desempenho notável, levando-se em consideração que foi estabelecida uma disputa contra o grupo hegemônico do PT, agregado por outras forças como o Movimento PT, CDS e outros agrupamentos de ocasião, além do peso da máquina governamental, afinal, ficou comprovado que autoridades do governo, incluindo o próprio governador, utilizaram seu poder para influenciar no resultado do processo interno do PT.
  8. Nas eleições de 2014 a Articulação, todavia, demonstrou novamente a força de suas lideranças e de sua representatividade perante a sociedade elegendo dois dos seus quadros mais destacados, a deputada Erika Kokay foi reeleita com mais de 92 mil votos e o deputado distrital Chico Vigilante foi reeleito com mais de 17 mil votos.
  9. A dissidência da Articulação que hoje integra parcela do CNB (do DF), por sua vez, não conseguiu eleger nenhum parlamentar. Além disso, é o grupo diretamente responsável pelo resultado humilhante que o PT vivenciou nas últimas eleições, conforme veremos adiante.
  10. Esse é, portanto, o quadro que a militância da Articulação se depara ao chegar nesta 2ª Conferência. A tendência não só sobreviveu ao “racha” de 2012, como readquiriu importância junto ao conjunto da militância e da sociedade, reafirmou sua história, sua trajetória política.
  11. É chegado o momento, pois, da militância da Articulação se reposicionar como protagonista, fundadora e herdeira da rica e vitoriosa história desta corrente, responsável, em grande medida, pelo sucesso, pelas vitórias do Partido dos Trabalhadores, e sua consolidação como um dos maiores e mais importantes partidos de esquerda do mundo.

Por outro lado, este momento também é oportuno para que a Articulação faça uma autocrítica, reconheça seus erros e limitações diante do atual quadro político estabelecido no DF e formule estratégias que possam promover a correção de rumos, inclusive no que diz respeito à sua política de construção partidária, contemplando o diálogo interno com o conjunto de forças que tem responsabilidade para com o futuro do PT.

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